È LIBERO QUESTO POSTO ?
 


APERREAR

A leitura é uma dádiva dos deuses. Um bom livro nos faz viajar, nos deixa alegres, tristes, enfim, nos desperta sensações, ora boas, ora ruins. Creio que poucas coisas na vida substituem o prazer de uma boa literatura. Mas o que mais gosto mesmo é o fato de que adquirimos cultura sem nos apercebermos disso.

Ontem eu estava lendo La Isla Bajo el Mar, novo livro de minha escritora predileta, Isabel Allende, cujo primeiro capítulo foi publicado pelo jornal espanhol El País, como um brinde aos seus leitores (no Brasil o livro deve demorar uns seis meses para ser lançado). Num determinado momento ela explica como começou o costume de aperrear. Quantas vezes já escutei esta expressão, sem me dar conta do seu significado? Você nunca escutou alguém dizendo estar aperreado?

O que diz nosso pai dos burros: "amofinar(-se), apoquentar(-se), atormentar(-se), molestar(-se): As colegas a aperreavam com o apelido que lhe deram. Vive a aperrear-se por bagatelas." Muy bien!

O que nos explica a escritora chilena: nos tempos das caravelas e da conquista do novo mundo, os espanhóis cederam uma parte das Guianas para a França. Os franceses que por lá desembarcaram por volta de 1770, se sentiam tristes por estarem longe da corte. E para alegrar suas ensolaradas tardes de domingo inventaram um passatempo que consistia em soltar cachorros raivosos contra os indígenas que habitavam o local (que em pouco tempo foram totalmente dizimados, mas isso é uma outra história). Daí surgiu a expressão "aperrear", ou seja fazer perseguir por perros (cães, em espanhol).

Não é lindo isso? Descobrir o significado de uma expressão que você sempre usou sem saber o verdadeiro significado? Adoro! 



 Escrito por Luís Varinha às 08h28
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VERISSIMO

Ah, bom! Agora faz todo sentido...

Bastidores

L. F. Verissimo - Zero Hora - 10/09/2009

Especula-se que a vinda do Sarkozy ao Brasil foi precedida de uma intensa negociação diplomática entre Brasil e França em torno de um única dúvida: se a Carla Bruni viria ou não viria junto. Quando o governo francês anunciou que ela definitivamente não viria, teria havido uma reunião de emergência no Planalto, com a participação do Itamaraty e dos ministros da Defesa e da Fazenda, quando ficara decidido que o Brasil concordaria em comprar helicópteros franceses, com a condição de que a Carla Bruni acompanhasse o marido. O Sarkozy teria dito que infelizmente ela tinha um compromisso previamente marcado e não poderia vir. O governo brasileiro insistira: compraria, além dos helicópteros, 18 aviões, se a Carla Bruni também viesse. A chancelaria francesa se desculpara: a senhora Sarkozy, infelizmente, não poderia atender ao convite. O Brasil, então, teria feito outra proposta: os helicópteros e mais 36 aviões. A própria Carla Bruni escrevera um bilhete muito gentil ao Lula, agradecendo o carinho dos brasileiros etc. , mas reafirmando que, infelizmente, não poderia vir. Nova reunião de emergência e nova oferta brasileira: os helicópteros, os 36 aviões e mais dois submarinos. Nova resposta francesa: infelizmente... Então Lula autorizara a proposta final. O Brasil compraria os helicópteros, os 36 aviões e TRÊS submarinos, sendo um nuclear, e a França ainda poderia levar o que quisesse do pré-sal, com desconto, se a Carla Bruni viesse junto. Aliás, se viesse a Carla Bruni, o Sarkozy nem precisava vir. O negócio estava fechado. 

***

Os franceses aceitaram. Por isso, grande foi a decepção quando a porta do avião se abriu e o Sarkozy apareceu sozinho. Depois ele explicou por que, à última hora, a mulher não pudera vir:

– Enxaqueca.

Mas aí ficaria chato o Brasil retirar sua oferta.

***

Claro que esta é apenas uma versão do que teria havido nos bastidores do grande negócio. Outra, menos verossímil, é que o Sarkozy é apenas um vendedor com muita sorte.



 Escrito por Luís Varinha às 08h06
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SWEET STATION

Quer ver boas imagens?

Acesse o blog Sweet Station, criado por dois irmãos que expõem trabalhos de novos artistas do mundo inteiro.

Como esta abaixo, do estadunidense Mel Marcelo.

Experimente: http://www.sweet-station.com/blog

 



 Escrito por Luís Varinha às 09h52
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CACHORRO QUENTE

Como tem gente desocupada na vida...



 Escrito por Luís Varinha às 09h46
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MARIGHELLA

Há exatos 40 anos, o líder guerrilheiro Carlos Marighella foi emboscado e friamente assassinado pela equipe do delegado Fleury, no tempo de uma guerra da qual às vezes escuto algum ignorante dizer que tem saudades ("No tempo dos militares é que era bom...")

Hoje, às 11 horas, haverá um ato político no exato local em que Marighella foi assassinado, na Alameda Casa Branca, 806 - Jardim Paulista. Às 19 horas ocorrerá uma sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo, quando lhe será concedido o título de Cidadão Paulistano "in memorian".

E no próximo sábado, às 11 horas haverá a inauguração da exposição 40 Anos Marighella Vive e o lançamento do livro Carlos, a face oculta de Marighella, de Edson Teixeira. O local, não menos apropriado do que o Memorial da Resistência, que funciona no mesmo local onde na época funcionava o Deops, no qual muitos companheiros de Marighella foram presos e assassinados sob tortura.



 Escrito por Luís Varinha às 09h10
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DEPRESSÃO PÓS-FÉRIAS

Manja aquelas mulheres que tem vontade de jogar seus rebentos pela janela, logo depois do parto? Pois foi assim que me senti nestes últimos dias, depois que voltei da terra de Gardel. Chegamos na quinta-feira e no dia seguinte resolvi ir para o Centro de São Paulo para cortar meu cabelo e também para ver a exposição do Matisse, que estava na Pinacoteca até ontem.

Que choque! Da Júlio Prestes até a Luz contei umas quinze pessoas dormindo pelas calçadas, debaixo do sol das 15 horas. E que sujeira! Fiquei absurdado. Impressionante como as administrações Serra/Kassab conseguiram acabar com o projeto de revitalização da região. Os que me conhecem sabem o quanto adoro (adorava?) aquele pedaço da cidade. Sempre quis morar por ali, coisa que não faria hoje nem que me dessem um apartamento de graça.

Depois fui para o meu cirurgião capilar, que fica ali na região do Anhangabau, não muito melhor. Fiquei chocado com o contraste em relação a capital de nuestros hermanos, mesmo com eles vivendo numa crise sem limites. Gritante!

Bueno... vamos tocando em frente, que hoje voltei pra vida real. Mas ainda meio chocado.



 Escrito por Luís Varinha às 19h29
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