Imagino a cena em certo apartamento em Higienópolis: o príncipe da Sourbone sentado sozinho à mesa, diante de uma garrafa de poirè, uma navalha e a fotografia da Dona Ruth.
- Ruth, porque me abandonaste? Assim não pode, assim não dá! O que aquele nordestino desgraçado tem que eu não tenho, Ruth? Eu, o príncipe da Sourbone! Eu, o intelectual mais intelectual deste país (ai, meus sais!). Meus diplomas, Ruth, meus diplomas! O que faço com eles? Você viu o que aquele retirante conseguiu hoje, Ruth? Trazer a Olimpíada para o Brasil, Ruth! A OLÍMPIADA (ai, meus sais!)! Pela primeira vez na América Latina, Ruth! E no governo daquele torneiro mecânico (ai, meus sais!). Assim não pode, assim não dá! Já não bastava o pré-sal? Já não bastava a diminuição dos índices de pobreza? Já não bastava o prestígio internacional do país? A COPA DO MUNDO EM 2014!!! Agora mais essa, Ruth? Eu não merecia isso. Justo eu, o príncipe! O que aquele retirante analfabeto tem que eu não tenho, Ruth? Ahhhhhhhhhhh, vou cortar os pulsos, Ruth! Me aguarda que estou chegando! Ahhhhhhhhhh, que não aguento mais esse país!
Tempos atrás comentei aqui sobre a coleção de bonecos de chumbo do filme Star Wars, lançada pela DeAgostini Editora. Como sou apaixonado por miniaturas e ainda mais pela série, estou colecionando. Achei que estava arrasando até que recebi um email indicando uma matéria sobre o apartamento de um fã de Star Wars. Putaqueopariu! Fiquei embasbacado... e morrendo de inveja (embora pense que este cara é doente! hehehe).
Clique aqui aqui para conhecer o apartamento do maluco!
No domingo quase realizei um desejo há muito cultivado: o de voar de balão. Digo quase porque acabou não dando certo. Chegamos atrasados e perdemos o vôo. Explico-me: há cerca de dois meses a FinePhoto montou uma saída fotográfica, um passeio num balão em Boituva. Me animei com a chance, convidei a patroa que topou. Mas na data marcada não deu certo, porque havia tempo bom, mas os ventos não eram seguros. Funciona assim: o pessoal do balão monitora tempo e vento durante a semana e na sexta-feira passa para o responsável pelo grupo (no caso, meu dileto amigo Rony Costa) a posição se vai rolar o vôo ou não. E durante umas cinco semanas vivemos nesta expectativa, porém somente no último domingo casaram tempo e vento ideais.
Saímos de casa às 5h00 e por volta da 6h30 estávamos no local da subida. Qual foi a nossa decepção ao sermos informados de que havíamos nos atrasado (não eu e a esposa, mas todo o grupo). Houve um desentendimento quanto ao horário. O guia jura que marcou às 6h00. O Rony diz que ele marcou às 7h00. O fato é que no horário que chegamos já não havia mais condições seguras para o balão subir. Johnny explicou-nos que o balão tem de subir antes do sol nascer, porque depois que o dia clareia aumentam os ventos e não há mais condições seguras para botar o bicho no alto.
Frustrados, combinamos de remarcar uma nova data em breve. E já que estávamos por ali aproveitamos a viagem para conhecer a escola de paraquedismo que funciona no mesmo local. No final, conseguimos capturar algumas imagens. Mesmo sem voarmos, valeu o passeio!
Clique na foto para ver mais imagens no meu Flickr.
Dias atrás contei que meu velho pai sofreu uma queda e necessitou de intervenção cirúrgica para corrigir uma fratura no femur. Por conta de sua idade avançada (81 anos) e uma saúde fragilizada, a cirurgia inspirou cuidados, mas transcorreu sem muitas complicações. Mas o quadro começou a se complicar depois, por conta de uma infecção pulmonar que o levou a UTI. Onze dias depois de muito sofrimento e uma bateria interminável de medicamentos, meu pai não resistiu e nos deixou.
Hoje pela manhã levantei-me para ir ao trabalho quando tocou o telefone. Pediram a presença da família no hospital. Pouco mais de 12 horas depois, ele já não se encontra mais fisicamente entre nós. Decidimos sepultá-lo hoje mesmo para não prolongarmos ainda mais o sofrimento causado pelo velório. Felizmente, contamos com a ajuda dos amigos que nos ajudaram com os tramites legais, permitindo que isso fosse possível em tão pouco tempo. Sem eles não teríamos conseguido.
Peço desculpas àqueles que não consegui avisar, mas foi tudo tão rápido que acho que a ficha ainda nem caiu! Em minhas orações pedi muito para que Deus abreviasse o seu sofrimento. Não queria ver meu velho doente, travado numa cama. Felizmente ele descansou. Nós que aqui ficamos teremos de aprender a tocar a vida sem ele. Vai ser difícil, temos certeza. Mas não há outra maneira. É "compreender a marcha e ir tocando em frente".